24 de junho de 2021

Dan Ioschpe, presidente do Sindespeças, fala da indústria automotiva e expectativas para o futuro

Recentemente entrevistamos o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, para expor sua opinião a respeito da indústria automotiva e refletir sobre o momento atual e expectativas para o futuro. Acompanhe: 1) Em sua opinião, a pandemia trouxe algum ganho para a indústria automotiva? Se sim, quais? Se não, por quê? É difícil falar em ganhos, quando consideramos os desafios enfrentados neste período pelas empresas, seus colaboradores e comunidades adjacentes. Mas é fato que a pandemia acelerou muitos processos, por conta das condições operacionais demandadas pelo necessário distanciamento social. Isso vale para a relação com os clientes, fornecedores, investidores, credores e em especial entre os colaboradores. Com isso as ferramentas que já vinham sendo implementadas, até por conta dos conceitos de digitalização e da indústria 4.0, tiveram o seu uso acelerado e maximizado. 2) Quais tem sido os maiores desafios deste setor esse ano? O maior desafio foi aquele ocorrido na primeira fase da pandemia, no primeiro semestre do ano passado, com a redução significativa da demanda e da atividade em geral, por conta do aprendizado de como conviver com o necessário distanciamento social e pela insegurança geral em relação ao futuro gerada naquela primeira fase. A partir do segundo semestre do ano passado, com a recuperação relevante da demanda, o maior desafio passou a ser a produção dos volumes demandados. Sendo o ritmo de produção afetado em maior grau pela demora natural na recuperação das cadeias mais longas, naquelas etapas com maior transformação nos produtos. E em menor grau pelo aprendizado relacionado a forma de operação em um ambiente com o necessário distanciamento social. Já nesta primeira parte de 2021, quando avançava bem a recuperação das cadeias de produção mais longas, tivemos os eventos relacionados ao suprimento de semicondutores, que tem afetado o ritmo de produção do setor automotivo em maior ou menor grau ao redor do mundo. Importante dizer, que diante de tudo isso, o maior desafio segue sendo a pandemia, pelas suas consequências nas pessoas, que são no fim do dia a base de tudo. 3) Diante do cenário atual, como você enxerga o setor a curto e médio prazo? O setor automotivo segue avançando em sua rota tecnológica, com enorme velocidade. E essa parece ser a principal característica do setor e que deverá remanescer por muito tempo. A arquitetura dos veículos está mudando fortemente, como demonstra a eletrificação. A forma de produção também se altera a passos largos, com a digitalização e a indústria 4.0. E o uso dos veículos pelos consumidores se altera a partir das novas tecnologias, com o uso expressivo da conectividade, que viabiliza o uso extremamente eficiente da mobilidade sem a necessidade de ser proprietário de um meio de transporte. Enfim um cenário repleto de desafios e de oportunidades.   4) Em sua opinião, como será o futuro da indústria automotiva? A indústria automotiva seguirá avançando com enorme rapidez e ao mesmo tempo expandirá os seus horizontes, a partir do conceito mais amplo da mobilidade. Sempre buscando a adoção de padrões de confiabilidade, sustentabilidade e segurança, que no fim do dia demandam escala, o que acaba gerando as melhores opções econômicas e tecnológicas para os seus consumidores.